AL HAYAT - Rede de verificadores da América Latina pede à Meta que não substitua a checagem de fatos profissional

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Rede de verificadores da América Latina pede à Meta que não substitua a checagem de fatos profissional
Rede de verificadores da América Latina pede à Meta que não substitua a checagem de fatos profissional / foto: INA FASSBENDER - AFP

Rede de verificadores da América Latina pede à Meta que não substitua a checagem de fatos profissional

A rede LatamChequea, que reúne 47 verificadores da América Latina, alertou nesta quinta-feira (10) que o sistema de moderação por usuários que a Meta está testando em 16 países da região não é suficiente em "contextos de alta desinformação" e defendeu que ele complemente a checagem de fatos independente, sem substituí-la.

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"As Notas da Comunidade, que serão testadas nos países de língua espanhola da região, poderiam ser uma contribuição valiosa se implementadas como um complemento à verificação independente (...). A preocupação reside na possibilidade, levantada pela plataforma, de que a verificação independente seja substituída por esse sistema", avaliou o grupo em um comunicado.

O programa de moderação coletiva, inspirado no que Elon Musk implementou no X, foi concebido para substituir as verificações realizadas por jornalistas independentes, uma mudança que a Meta já implementou nos Estados Unidos no ano passado.

A LatamChequea soma-se, assim, à preocupação expressa pela Rede Internacional de Checagem de Fatos (IFCN, na sigla em inglês), da qual a AFP é membro.

A AFP participa, em mais de 26 idiomas, do programa de verificação profissional de fatos desenvolvido pelo Facebook, que contrata dezenas de veículos de comunicação de todo o mundo para essa finalidade.

Atualmente, 14 organizações na região participam do programa do grupo Meta (Facebook, Instagram e WhatsApp).

A rede latino-americana questionou, por sua vez, as fontes confiáveis que servirão como base para os usuários que escreverem essas notas, "em um momento crítico" no qual a desinformação na região tem se agravado "pelo auge de conteúdos gerados e manipulados com inteligência artificial".

Os países afetados pela decisão da empresa de Mark Zuckerberg são Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela.

O Brasil, que realizará eleições presidenciais em outubro e é o maior mercado das plataformas da Meta, não foi incluído.

O anúncio ocorre em um momento em que um número crescente de candidatos conservadores e de extrema direita tem chegado à presidência nos últimos tempos na América Latina, com promessas de desregulamentação, medidas rígidas e resultados rápidos na luta contra o tráfico de drogas e o crime.

Eles têm como modelo os presidentes de El Salvador, Nayib Bukele, e Estados Unidos, Donald Trump, e receberam apoio de Washington.

B.al-Muhanna--al-Hayat