Colaboradora de María Corina Machado retorna à Venezuela
A opositora Claudia Macero, considerada uma das colaboradoras mais próximas da vencedora do prêmio Nobel da Paz María Corina Machado, desembarcou na noite de domingo (27) em Caracas, onde foi recebida por centenas de seguidores, enquanto o retorno da líder opositora parece iminente.
No exílio há mais de um ano, Claudia é responsável pela comunicação no partido Vente, a legenda de Corina Machado, que tentou voltar sem sucesso à Venezuela em sete oportunidades após a captura do presidente Nicolás Maduro em uma operação militar dos Estados Unidos em janeiro.
"Espero que seja a oitava tentativa e a definitiva", disse Claudia Macero à AFP em sua chegada ao aeroporto de Maiquetía, na região de Caracas.
"Como disse Marco Rubio, secretário de Estado dos Estados Unidos, ela tem direito, como venezuelana, de estar aqui (...) não deveria haver impedimento para voltar", afirmou.
María Corina Machado saiu da clandestinidade em dezembro, quando viajou para receber o Prêmio Nobel da Paz na Noruega. Após uma breve estadia nos Estados Unidos, ela seguiu para a Cidade do Panamá.
A dirigente afirmou no sábado, em um fórum virtual sobre democracia, que deve "voltar muito em breve" ao seu país.
Vários dirigentes de seu partido que estavam no exílio retornaram nas últimas semanas.
"Hoje volto à Venezuela para dar confiança a mim e para dar confiança a outros de que é necessário voltar. É o momento de voltar, é o momento de voltar para casa. É o momento de recuperar este país", declarou Claudia Macero à imprensa.
"Venho aqui para trabalhar, para dar confiança também a uma equipe que está fazendo todo o possível para que isso avance", acrescentou.
Analistas consideram que existe um veto de Washington ao retorno de Corina Machado após a captura de Maduro.
O presidente Donald Trump expressou satisfação com o trabalho de Delcy Rodríguez, que governa como presidente interina sob forte pressão dos Estados Unidos.
Enquanto isso, María Corina Machado ficou à margem das manobras de Washington.
Claudia Macero, 34 anos, é parte de um grupo de seis colaboradores de Corina Machado que se refugiaram na embaixada da Argentina em Caracas em março de 2024. Eles permaneceram durante mais de um ano na representação diplomática, durante um período de repressão antes das eleições presidenciais de 2024.
Os opositores tinham ordem de detenção da Procuradoria, que os acusava de tentar "gerar desestabilização" e incentivar a insurreição de "uma ala militar".
Em maio de 2025, deixaram a sede diplomática e chegaram de surpresa aos Estados Unidos, após uma "operação" que Washington afirmou ter conduzido e cujos detalhes não foram revelados.
Claudia Macero contou à imprensa que saiu da embaixada antes de seus companheiros.
"Tenho que me atualizar com meus advogados para entender o que vem pela frente", disse à AFP. Na área de imigração do aeroporto, "não me perguntaram nada", acrescentou.
Seus seguidores cantaram o hino nacional, enquanto ela abraçava os amigos. "Estou muito emocionada, sobretudo pela minha família, pelos meus companheiros", disse à AFP.
Durante o domingo, apoiadores de María Corina Machado mobilizaram-se em várias regiões da Venezuela para exigir um "retorno seguro" da principal líder opositora ao país.
Caravanas de centenas de pessoas se repetiram em vários estados após uma convocação do partido, que denunciou também a prisão do líder regional Fernando Torrealba pela Guarda Nacional, ocorrida na manhã de domingo, no estado de Zulia.
A.Hadi--al-Hayat