Trump defende "autorregulação" da inteligência artificial diante de líderes do setor
O presidente Donald Trump, contrário a qualquer regra que restrinja o desenvolvimento da inteligência artificial, afirmou nesta terça-feira (29) que "a autorregulação era muito importante", durante uma reunião com os líderes do setor na Casa Branca.
Trump afirmou aos jornalistas que, entre os convidados, "existe a convicção de que deveria haver uma ampla autorregulação".
Se o desenvolvimento da IA levar a abusos ou perigos, "automaticamente já contamos com regulamentação por meio do Departamento de Justiça, do FBI, de tudo isso", enfatizou.
Os próprios dirigentes do setor reconheceram, em um recente apelo conjunto, que havia riscos de perda de controle, após vários incidentes durante o desenvolvimento de novas versões de IA. Nesses episódios, os programas invadiram outras plataformas e roubaram informações sem que os humanos tivessem solicitado essas ações.
Em meio à campanha eleitoral nos Estados Unidos, líderes democratas pediram que o Congresso reforce a supervisão da indústria.
Mark Zuckerberg (Meta), Sundar Pichai (Google), o presidente da OpenAI, Greg Brockman, além de Dario Amodei (Anthropic), Jensen Huang (Nvidia), Alex Karp (Palantir), Jeff Bezos (Amazon) e Elon Musk (X, Tesla, SpaceX) participaram do encontro.
O chefe da OpenAI, Sam Altman, que permaneceu em São Francisco, defendeu aos jornalistas uma abordagem "centrista", que encontre um equilíbrio entre dois riscos: o de uma "perda acidental de controle" e o de uma "concentração excessiva de poder".
- Enganar os supervisores -
Na véspera da reunião, a OpenAI anunciou o adiamento do lançamento de seu modelo de ponta, previsto para outubro, porque ele desviava das instruções recebidas e tentava enganar seus supervisores.
A mesma empresa reconheceu na semana passada que agentes desenvolvidos com modelos da OpenAI acessaram os sites de três agências federais americanas e que um de seus modelos invadiu um portal de dados de saúde do governo australiano.
Por sua vez, a Anthropic, responsável pelo modelo Claude, advertiu os investidores antes de sua abertura de capital que a IA pode representar "riscos existenciais para a humanidade", informou nesta terça-feira o jornal Financial Times.
- Preocupação do eleitorado -
Trump apresentou em outro evento nesta terça-feira um novo portal, America.gov, destinado a reunir cerca de 29 mil sites do governo federal americano.
Construído diretamente com a ajuda da inteligência artificial, o portal promete responder a qualquer solicitação dos usuários e, supostamente, não guardar nenhum tipo de informação pessoal.
Segundo o portal, as conversas e os dados de localização dos usuários serão apagados automaticamente após a consulta.
A IA se destina "essencialmente a bons usos" e, caso contrário, o governo acabará com "os maus usos", afirmou Trump. Os Estados Unidos não "sucumbem ao medo" das novas tecnologias, acrescentou.
Uma pesquisa publicada pela CNN afirma que 82% dos americanos se declaram "preocupados" com o desenvolvimento da IA.
No entanto, Trump considera as advertências exageradas e defende um desenvolvimento vigoroso para superar a China e impulsionar uma economia cada vez mais dependente do avanço dessa tecnologia.
Ele também criticou a rejeição social à instalação dos enormes centros de dados necessários para sustentar a IA, que encarecem a conta de luz e aumentam a pressão sobre os recursos hídricos e o solo.
Trump disse que as comunidades que se opõem a estas infraestruturas "querem acabar atrasadas e pobres" e que "a China não poderia estar mais feliz com o movimento contrário aos centros de dados".
Parlamentares dos dois partidos elaboraram vários projetos de lei para regulamentar melhor o setor. Alguns exigem que as empresas sejam mais transparentes sobre o funcionamento de seus sistemas e as medidas de segurança que utilizam.
Mas, com a Câmara dos Representantes em recesso até o início de novembro e os senadores prestes a voltar a seus distritos eleitorais para fazer campanha, é improvável que o Congresso aprove uma legislação abrangente sobre o tema antes das eleições.
D.al-Shehri--al-Hayat