Universidade de Cornell nomeia ex-vice-procuradora para revisar caso de estupro coletivo
A Universidade de Cornell nomeou, nesta terça-feira (6), a ex-vice-procuradora-geral dos EUA para avaliar a gestão dada pela instituição de ensino ao suposto estupro coletivo de uma estudante em 2024, um caso que gerou indignação no país.
A universidade foi questionada por não ter imposto sanções severas aos acusados da agressão, que foi descrita em detalhes em uma ação apresentada no mês passado.
A instituição de ensino informou que Sally Yates, que atuou como vice-procuradora-geral dos Estados Unidos entre 2015 e 2017 e chefiou brevemente o Departamento de Justiça, fará uma "revisão minuciosa" da resposta da prestigiosa instituição de ensino às denúncias de estupro.
A denunciante, identificada com o pseudônimo de Jane Doe, afirma ter sido "pressionada (...) para cheirar" cetamina, antes de ser agredida e violentada por sete membros da fraternidade estudantil masculina Chi Phi.
Após suas denúncias iniciais em 2024, Cornell fechou a fraternidade e suspendeu temporariamente os estudantes acusados. Dois deles foram expulsos em seguida.
No entanto, críticos questionaram que a resposta da universidade tinha sido excessivamente indulgente, após o que a universidade decidiu iniciar uma revisão independente.
"É imperativo que Cornell esteja disposta a examinar a si própria com o mesmo rigor que exigimos dos demais", declarou, em nota, Anne Meinig Smalling, presidente do conselho administrativo da universidade.
"Queremos entender não só o que ocorreu em 2024, mas também como Cornell pode se tornar uma referência na prevenção da violência sexual, no apoio àqueles que denunciam e nas respostas às denúncias de forma rigorosa, justa e empática", acrescentou.
Milhares de estudantes e membros do professorado se concentraram na segunda-feira em Cornell para exigir justiça para a denunciante. Eles exibiam cartazes com mensagens como "Que prestem contas" e "Protejam as sobreviventes".
A investigação penal sobre o suposto estupro coletivo foi reaberta na semana passada, depois que a governadora de Nova York, Kathy Hochul, nomeou Letitia James, procuradora-geral do estado, para conduzir o caso.
Em 2024, as autoridades locais decidiram não apresentar acusações porque consideraram que o testemunho da denunciante não demonstrava falta de consentimento.
Nos Estados Unidos, uma em cada quatro estudantes universitárias reportou ter sofrido contato sexual forçado ou contato sexual sem consentimento, segundo um estudo de 2020 sobre 33 instituições, realizado pela Associação de Universidades Americanas.
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F.Omari--al-Hayat