EUA e Irã realizam negociações diretas no Paquistão
Americanos e iranianos realizam, neste sábado (11), negociações diretas em Islamabad para tentar alcançar uma trégua duradoura em uma guerra na qual Israel afirma ter "destruído" os programas nuclear e balístico da república islâmica.
Essas conversas, em um nível sem precedentes entre os dois países inimigos desde a revolução islâmica de 1979, desenrolam-se, segundo a Casa Branca, em um formato trilateral, com a presença de membros do alto escalão do Paquistão, que facilitou o cessar-fogo de duas semanas iniciado na quarta-feira.
À tarde, a televisão estatal iraniana afirmou que já foram realizadas duas rodadas e que uma terceira acontecerá "provavelmente esta noite ou amanhã", domingo, mas não entrou em detalhes. E a Casa Branca limitou-se a dizer que os diálogos estão "em andamento".
Uma fonte paquistanesa que pediu anonimato assegurou que "as negociações avançam na direção certa". "O ambiente geral é cordial", disse à AFP.
Por parte dos Estados Unidos, a delegação é chefiada pelo vice-presidente JD Vance. Junto a ele, estão o enviado especial Steve Witkoff e Jared Kushner, genro do presidente Donald Trump.
O Irã está representado em Islamabad, entre outros, por seu influente presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, e pelo ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi.
A guerra começou em 28 de fevereiro com um ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã e, desde então, causou milhares de mortes, sobretudo no Irã e no Líbano.
– "Lutam por sua sobrevivência" –
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, proclamou vitória.
"Conseguimos destruir o programa nuclear e destruir o programa de mísseis" do Irã, declarou Netanyahu em um discurso televisionado, acrescentando que a guerra também enfraqueceu os dirigentes iranianos e seus aliados regionais.
"Eles queriam nos estrangular e [agora] somos nós que os estrangulamos. Eles nos ameaçavam com a aniquilação e agora lutam por sua sobrevivência", afirmou.
Mas, segundo Trita Parsi, analista do grupo de reflexão Quincy Institute for Responsible Statecraft, "nunca antes os iranianos tinham negociado com os Estados Unidos com tantas cartas na mão".
Entre os meios de pressão de que Teerã dispõe está o Estreito de Ormuz, passagem estratégica para o abastecimento de hidrocarbonetos, praticamente bloqueado desde o início da guerra, com consequências em cascata para a economia mundial.
As forças armadas dos Estados Unidos anunciaram que dois navios de guerra cruzaram essa via marítima para uma operação preparatória ao seu desminamento, poucas horas depois de Trump dizer que seu país havia iniciado "o processo de desbloqueio" do estreito.
Entre os "progressos" mencionados neste sábado, as agências iranianas Fars e Tasnim destacam que os Estados Unidos teriam aceitado liberar "os ativos iranianos e a necessidade de debates técnicos e de especialistas mais aprofundados a esse respeito".
No entanto, pouco antes um funcionário americano havia desmentido que Washington tivesse aceitado desbloqueá-los.
O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, avalia que as partes estão em uma fase de tudo ou nada, o que dificulta "estabelecer uma trégua duradoura".
O fosso entre os países beligerantes é abissal em temas cruciais como as sanções, a situação no Líbano e a reabertura do Estreito de Ormuz. Veículos de comunicação iranianos afirmam que os Estados Unidos apresentam "exigências excessivas" sobre o estreito.
No Irã, submetido pelas autoridades a um corte das conexões de internet, vários habitantes estão desconfiados.
"Não deveríamos levar Trump tão a sério. Ele quer apagar uma civilização do mapa e, doze horas depois, estabelece um cessar-fogo que não se baseia em nada", resume à AFP um homem de 30 anos que pediu anonimato.
– Mais de 2 mil mortos no Líbano –
Desde a entrada em vigor do cessar-fogo na quarta-feira, Israel alega que o Líbano não está incluído na trégua.
Neste sábado, os ataques israelenses no sul do Líbano mataram ao todo 18 pessoas, segundo o Ministério da Saúde.
O exército israelense anunciou ter atacado, nas últimas 24 horas, mais de 200 alvos do Hezbollah. Na quarta-feira, realizou no país os ataques mais mortíferos desta guerra, com ao menos 357 mortos em um único dia, segundo o último balanço.
As autoridades libanesas informaram que, desde 2 de março, foram registrados 2.020 mortos e 6.436 feridos.
De acordo com a presidência libanesa, estão previstas para terça-feira conversações entre Líbano e Israel em Washington, que o Hezbollah não vê com bons olhos.
Netanyahu quer um acordo duradouro. "O Líbano recorreu a nós para iniciar negociações diretas [...] Estabeleci duas condições: queremos o desarmamento do Hezbollah e queremos um verdadeiro acordo de paz que perdure por gerações", declarou em seu discurso transmitido pela TV.
Enquanto isso, o papa fez um apelo desesperado pela paz. "Basta de idolatria de si mesmo e do dinheiro! Basta de ostentação de força! Basta de guerra! A verdadeira força se manifesta no serviço à vida", declarou o sumo pontífice em uma vigília pela paz na Basílica de São Pedro, em Roma.
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R.Rabiah--al-Hayat