AL HAYAT - Rússia vota em legislativas sem suspense em plena guerra com a Ucrânia

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Rússia vota em legislativas sem suspense em plena guerra com a Ucrânia
Rússia vota em legislativas sem suspense em plena guerra com a Ucrânia / foto: Igor IVANKO - AFP

Rússia vota em legislativas sem suspense em plena guerra com a Ucrânia

A Rússia iniciou, nesta sexta-feira (18), três dias de votação para renovar seu Parlamento, eleições em que o partido de Vladimir Putin tem a vitória assegurada e que também servirão para medir o apoio à guerra na Ucrânia.

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Esta é a primeira votação parlamentar na Rússia desde que Moscou enviou tropas à Ucrânia em fevereiro de 2022, em um conflito que provocou centenas de milhares de mortes.

O dia começou com o lançamento de 350 drones ucranianos contra a região de Moscou, anunciou o prefeito da capital, mas a maioria foi interceptada e destruída.

Para estas eleições legislativas, foram registrados apenas partidos que apoiam Putin e a ofensiva militar na Ucrânia. A votação também acontece nos territórios ucranianos controlados por Moscou.

As eleições servirão para o Kremlin medir o nível de apoio popular a uma guerra cujas consequências foram sentidas com mais força do que nunca neste ano.

A votação para renovar as 450 cadeiras da Duma, a câmara baixa do Parlamento russo, prosseguirá até domingo, às 21h00 locais (15h00 de Brasília), e os primeiros resultados devem ser conhecidos imediatamente depois.

Putin governa o país desde a véspera do Ano Novo de 1999 e seu partido, Rússia Unida, domina a política do país desde o início dos anos 2000.

Em uma seção eleitoral no centro de Moscou, Sergei Korenets, um ferroviário de 41 anos, explicou que votaria no partido Rússia Unida em nome da "estabilidade", repetindo um dos principais lemas políticos de Putin.

Questionado se quatro anos e meio de guerra podem ser considerados um símbolo de estabilidade, respondeu: "É claro que quero que tudo isso termine o mais rápido possível".

Porém, ele disse que não deseja mudanças no âmbito interno porque se sente satisfeito com sua situação econômica.

- Censura ao estilo soviético -

Poucos na Rússia duvidam da vitória do partido de Putin, que votou nesta sexta-feira eletronicamente, segundo imagens da televisão pública.

O partido Rússia Unida enfrenta apenas legendas que apoiam a maioria das políticas de Putin e a guerra na Ucrânia: o Partido Comunista, o nacionalista LDPR, Rússia Justa e o liberal Gente Nova.

O partido Yabloko, que pediu o fim dos combates, foi excluído da disputa pouco antes da votação. Um de seus principais dirigentes, Lev Shlosberg, foi preso por criticar a guerra.

Tatiana Stanovaya, uma analista política russa radicada na França, afirmou que Putin gosta de "comparar sua situação política" com a dos países europeus.

"Ele pode dizer: 'Vejam, tivemos eleições. Tenho um apoio considerável por parte dos russos. Estamos todos unidos'. Então, para ele, isso é algo muito importante no plano pessoal, emocional e político", disse à AFP.

Em um breve discurso exibido na televisão na noite de quarta-feira, o presidente russo conclamou os cidadãos a votar para mostrar às tropas que "por trás de nossos combatentes há milhões de pessoas" e para dar uma "resposta conjunta àqueles que querem enfraquecer a Rússia".

A guerra rompeu os laços de Moscou com o Ocidente, que puniu a Rússia com duras sanções econômicas.

- Frustração popular -

Na ausência de debate público e com a dissidência e as críticas proibidas, a votação servirá ao Kremlin como um termômetro da frustração popular com o conflito, que não tem uma conclusão à vista.

Neste ano, a guerra afetou os russos mais do que nunca, com ataques ucranianos que chegaram a cidades nos Urais e na Sibéria.

Os adversários políticos de Putin foram, em sua maioria, empurrados ao exílio, e seu principal opositor, Alexei Navalny, morreu em uma prisão no Ártico em 2024.

A oposição russa no exílio conclamou os russos contrários ao Kremlin a não boicotarem as eleições, e sim a votar "contra o partido de Putin", e publicou recomendações sobre quem apoiar em cada região.

Um grupo de eurodeputados e opositores russos no exílio ligados ao Conselho da Europa chamou as eleições de "farsa" e afirmou que resultarão em um Parlamento sem legitimidade democrática.

"As autoridades russas continuam intensificando a repressão sistemática e institucionalizada para excluir qualquer força de oposição democrática", declarou Christian Wigand, porta-voz da UE.

Alguns russos temem uma nova mobilização militar como a de 2022, quando 300.000 reservistas foram convocados, uma medida impopular que provocou um êxodo de homens em idade de serviço militar.

O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, acusou o Kremlin de planejar uma nova campanha de mobilização "neste outono" (do Hemisfério Norte), o que Putin nega.

D.Zahrani--al-Hayat