Rebeldes do norte da Etiópia anunciam 'guerra total' contra o governo
Os rebeldes da região de Tigré, no norte da Etiópia, afirmaram nesta quinta-feira (24) à AFP que estão em "guerra total" contra o governo federal. Além disso, ataques intensos de artilharia foram relatados em províncias vizinhas.
A Frente de Libertação Popular de Tigré (TPLF) travou uma guerra civil devastadora contra o governo federal entre 2020 e 2022, que matou quase 600.000 pessoas, segundo estimativas da União Africana.
Confrontos esporádicos nos últimos meses alimentaram o temor de um retorno ao conflito. No domingo, a TPLF anunciou que se uniu a uma nova aliança de grupos armados antigovernamentais de todo o país.
Os rebeldes, que dominam a região, tomaram na quarta-feira o controle de três aeroportos que estavam nas mãos da polícia federal e lançaram ataques contra as regiões vizinhas de Afar e Amhara.
Uma fonte humanitária em Afar informou à AFP que intensos ataques de artilharia da TPLF foram registrados quando os rebeldes tentavam tomar a cidade de Yallo, perto da fronteira com Tigré.
"Agora nos encontramos em uma situação de guerra total", declarou à AFP o vice-presidente da TPLF, Amanuel Assefa.
Ele confirmou que os combates prosseguiam em Afar e Amhara, onde as milícias de Tigré lutam ao lado de grupos armados locais.
Segundo uma fonte de uma força de segurança estrangeira baseada na Etiópia, os rebeldes já tinham, na quarta-feira, o controle de Abala, na fronteira entre Tigré e Afar. Outra fonte da TPLF afirmou que os rebeldes tomaram várias cidades de Afar, mas a AFP não conseguiu confirmar a informação.
O conflito provoca o risco de uma conflagração regional.
Analistas destacam que os rebeldes de Tigré contam com o apoio da Eritreia, que teme que a Etiópia, país sem saída para o mar, planeje invadir seu território para obter acesso ao Mar Vermelho.
Ao ser questionado se a TPLF pediria à Eritreia que entrasse no conflito, Assefa respondeu à AFP: "Ainda não".
F.Omari--al-Hayat